segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Quando era menino
Quando era menino
Escrevia como menino
Agora que cresci
- mas para mais velhos
ainda sou menino -
Escrevo como um menino,
Mais um menino
Crescido.
Escrevia como menino
Agora que cresci
- mas para mais velhos
ainda sou menino -
Escrevo como um menino,
Mais um menino
Crescido.
Mandante nacionalista
Faça mais uma vez
O que é de praxe
Siga o protocolo
Siga o mestre
Não pense
duas vezes
nem uma vez pense
Transgredir o meu mandado
é pecado
pecado mortal
é ignorar nosso lábaro
estrelado
sem pecado
imaculado
símbolo da ordem nacional.
O que é de praxe
Siga o protocolo
Siga o mestre
Não pense
duas vezes
nem uma vez pense
Transgredir o meu mandado
é pecado
pecado mortal
é ignorar nosso lábaro
estrelado
sem pecado
imaculado
símbolo da ordem nacional.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Vai
Antro de perdição é o peito
Confunde a mente,
Confunde a gente.
Tu és parte do meu peito,
Metade de tu(do) é meu
Por direito,
Não aceito o que fizeste.
Me trocaste,
Há muito me trocaste...
Desde quando não me afagas me trocaste,
Desde quando não me amas tu me amaste.
Amaste com o peito.
Dura perdição é o peito!
Confundiu a mim,
Que te amei demais
Confundiu a ti,
Que me amou de menos.
Porém, não te culpo,
Culpo a este que carregas consigo
Entre os seus pulmões vigorosos.
Culpo a outra que te fez ver
Que o amor sentido não era sincero
E se entregando então ao deletério
Se esvaiu até do peito enganador.
Senti muita dor.
Senti e ainda sinto.
E é com dor que daqui te enxoto,
Como cão em qualquer recinto.
Se um dia quiseres voltar,
O portão estará fechado.
Por que o coração
Não vai me ter outra vez como escravo.
Confunde a mente,
Confunde a gente.
Tu és parte do meu peito,
Metade de tu(do) é meu
Por direito,
Não aceito o que fizeste.
Me trocaste,
Há muito me trocaste...
Desde quando não me afagas me trocaste,
Desde quando não me amas tu me amaste.
Amaste com o peito.
Dura perdição é o peito!
Confundiu a mim,
Que te amei demais
Confundiu a ti,
Que me amou de menos.
Porém, não te culpo,
Culpo a este que carregas consigo
Entre os seus pulmões vigorosos.
Culpo a outra que te fez ver
Que o amor sentido não era sincero
E se entregando então ao deletério
Se esvaiu até do peito enganador.
Senti muita dor.
Senti e ainda sinto.
E é com dor que daqui te enxoto,
Como cão em qualquer recinto.
Se um dia quiseres voltar,
O portão estará fechado.
Por que o coração
Não vai me ter outra vez como escravo.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Furta Fruta
Furta
Cor
Furta a cor,
Não a fruta.
Quem furta cor,
Furta a cor da fruta.
Quem furta fruta,
Deixa a cor.
Cor
Furta a cor,
Não a fruta.
Quem furta cor,
Furta a cor da fruta.
Quem furta fruta,
Deixa a cor.
Presente (2)
Será que eu ganhei
Ou será que passou
É tanto presente
Que deixa a gente
No batente
A esperar o tempo passar
Pra ver se esse futuro muda
Me dá pacote de felicidade
Presente grego eu não aceito não
Só aceito presente se for de verdade
Pra ver se esse presente serve
E quando serve aí que dá vontade
De fincar a estaca no relógio
Matar vampiro que traz tempestade
Mas mundo gira e nem correndo contra
Dá pra fazer esse tempo parar
E o bom presente uma hora ou outra
Vai ser levado pela água do mar
Ou será que passou
É tanto presente
Que deixa a gente
No batente
A esperar o tempo passar
Pra ver se esse futuro muda
Me dá pacote de felicidade
Presente grego eu não aceito não
Só aceito presente se for de verdade
Pra ver se esse presente serve
E quando serve aí que dá vontade
De fincar a estaca no relógio
Matar vampiro que traz tempestade
Mas mundo gira e nem correndo contra
Dá pra fazer esse tempo parar
E o bom presente uma hora ou outra
Vai ser levado pela água do mar
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Poema sobre o amor
Um dia me disseram
Que o amor era um clichê,
Mas o que eu sinto por você é diferente.
Ai meu Deus, acabei de perceber.
Que o amor era um clichê,
Mas o que eu sinto por você é diferente.
Ai meu Deus, acabei de perceber.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Por que?
Pai,
Por que o céu é azul?
Será que reflete o mar,
Ou é por que Deus assim quis?
Será que é pra eu ser feliz?
Ou vou sempre sentir o pesar
de saber que meu céu é azul
e que nada vai fazer mudar?
Pai,
Por que eu não vou entender?
Será tão complicado assim?
Ou você tá com algo a esconder?
Será que um dia eu vou ser
Grande assim igual a você?
Será que vou pra onde foi o vovô
Depois que eu morrer...
Pai,
Por que demora assim pr'eu saber?
Por que o céu é azul?
Será que reflete o mar,
Ou é por que Deus assim quis?
Será que é pra eu ser feliz?
Ou vou sempre sentir o pesar
de saber que meu céu é azul
e que nada vai fazer mudar?
Pai,
Por que eu não vou entender?
Será tão complicado assim?
Ou você tá com algo a esconder?
Será que um dia eu vou ser
Grande assim igual a você?
Será que vou pra onde foi o vovô
Depois que eu morrer...
Pai,
Por que demora assim pr'eu saber?
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
O carregador de fardos.
Dedico ao meu irmão, Felipe dos Santos Nogueira.
Ele dizia sentir tudo aquilo no peito. Um aperto, incômodo, uma pressão sobrenatural, como se a dor quisesse como que arrancar a sua alma puxando-a de súbito. Chorar, não! Nunca chorar! Não era isso que ele ouvia dos pais, mas era esse o seu conceito. Homem que é homem não chora, muito menos por mulher, mesmo que mamãe tenha dito o contrário. E ele então chorava por dentro, segurava tudo apertando a língua na glote, limpando com os antebraços os olhos marejados e salgados, bocejava a todo instante buscando ar, respirando fundo. Mal sabia que engolir o choro era causar em si uma hemorragia interna, difícil de diagnosticar e de curar. Mas ele já se dizia acostumado, pois já passara por tais sofrimentos e da mesma forma havia os contornado. Escondia dos outros o que ainda sentia por causa de cicatrizes mal curadas e problemas não tão resolvidos. Carregava consigo o peso de não largar o peso que se leva quando a jornada se acaba, e entrando numas e noutras, carregava consigo um peso que quase anulava o seu próprio. Então não aguentou. Parou, e o sangue que escorria por dentro chegou às vias de saída. Chorou copiosamente. O peso já não permitia mais a caminhada esforçada. Mas ele não chorava mais por ela. Só chorava. Nem ele mesmo sabia o porquê daquele choro todo, e chorava também por que chorava, não deveria chorar, chorar é coisa de mulher! Pensava nisso, enquanto se auto-degradava com palavras e expressões de dissentimento. Era a calada da noite, então era menos pior, por que ninguém o via, ninguém o percebia e era assim que ele desejava que fosse, e pensava nisso enquanto colocava as últimas gotas para fora do corpo. O peso que carregava já havia tombado e ficado onde estava. A vista cansou, embassou, escureceu, e num desmaio consentido se pôs a dormir. No dia seguinte estava mais leve. Alegre, enfim! Podia novamente pular, algo que há muito não fazia. Não havia fardo.
Tempos após, caminhos após, o peso era o mesmo. E o que restava era a alegria da lembrança de que um dia ele havia pulado e sentido o alívio de quem é feliz. Mas agora ele suportava aquele peso que carregava. Estava mais forte, mais robusto, mais corajoso. O exercício leva à força. E então, após mais algumas épocas, após mais caminhadas, levava consigo o dobro do peso que carregara quando caiu. Ele era forte. Qualquer outro já teria desistido no início quando carregava o primeiro fardo e num escape teria ceifado a própria vida. Ele desejava fazê-lo, mas não tinha a coragem necessária. Não, em hipótese alguma, novamente chorar! Não! De jeito algum! Carregaria até o mundo em suas costas, mas não iria chorar. Chorar é para maricas, para veadinhos. E ele então caiu sobre os joelhos. A língua na glote, os bocejos falsos, as respirações profundas não mais funcionavam. Pos-se a chorar. Falhou, novamente, errou ao viver. Dessa vez o sol estava no zênite, era exatamente meio dia. Todos o viram. Riram, escarneceram. Mas houve alguém que se preocupou. E daí em diante, os dois levantaram, pularam, e tempos após, o fardo ainda era leve, pois era dividido entre dois jovens robustos.
Ele dizia sentir tudo aquilo no peito. Um aperto, incômodo, uma pressão sobrenatural, como se a dor quisesse como que arrancar a sua alma puxando-a de súbito. Chorar, não! Nunca chorar! Não era isso que ele ouvia dos pais, mas era esse o seu conceito. Homem que é homem não chora, muito menos por mulher, mesmo que mamãe tenha dito o contrário. E ele então chorava por dentro, segurava tudo apertando a língua na glote, limpando com os antebraços os olhos marejados e salgados, bocejava a todo instante buscando ar, respirando fundo. Mal sabia que engolir o choro era causar em si uma hemorragia interna, difícil de diagnosticar e de curar. Mas ele já se dizia acostumado, pois já passara por tais sofrimentos e da mesma forma havia os contornado. Escondia dos outros o que ainda sentia por causa de cicatrizes mal curadas e problemas não tão resolvidos. Carregava consigo o peso de não largar o peso que se leva quando a jornada se acaba, e entrando numas e noutras, carregava consigo um peso que quase anulava o seu próprio. Então não aguentou. Parou, e o sangue que escorria por dentro chegou às vias de saída. Chorou copiosamente. O peso já não permitia mais a caminhada esforçada. Mas ele não chorava mais por ela. Só chorava. Nem ele mesmo sabia o porquê daquele choro todo, e chorava também por que chorava, não deveria chorar, chorar é coisa de mulher! Pensava nisso, enquanto se auto-degradava com palavras e expressões de dissentimento. Era a calada da noite, então era menos pior, por que ninguém o via, ninguém o percebia e era assim que ele desejava que fosse, e pensava nisso enquanto colocava as últimas gotas para fora do corpo. O peso que carregava já havia tombado e ficado onde estava. A vista cansou, embassou, escureceu, e num desmaio consentido se pôs a dormir. No dia seguinte estava mais leve. Alegre, enfim! Podia novamente pular, algo que há muito não fazia. Não havia fardo.
Tempos após, caminhos após, o peso era o mesmo. E o que restava era a alegria da lembrança de que um dia ele havia pulado e sentido o alívio de quem é feliz. Mas agora ele suportava aquele peso que carregava. Estava mais forte, mais robusto, mais corajoso. O exercício leva à força. E então, após mais algumas épocas, após mais caminhadas, levava consigo o dobro do peso que carregara quando caiu. Ele era forte. Qualquer outro já teria desistido no início quando carregava o primeiro fardo e num escape teria ceifado a própria vida. Ele desejava fazê-lo, mas não tinha a coragem necessária. Não, em hipótese alguma, novamente chorar! Não! De jeito algum! Carregaria até o mundo em suas costas, mas não iria chorar. Chorar é para maricas, para veadinhos. E ele então caiu sobre os joelhos. A língua na glote, os bocejos falsos, as respirações profundas não mais funcionavam. Pos-se a chorar. Falhou, novamente, errou ao viver. Dessa vez o sol estava no zênite, era exatamente meio dia. Todos o viram. Riram, escarneceram. Mas houve alguém que se preocupou. E daí em diante, os dois levantaram, pularam, e tempos após, o fardo ainda era leve, pois era dividido entre dois jovens robustos.
Lembranças da Tijuca
Lembro-me muito pouco tanto
dos tempos que passei na tijuca,
pois era muito jovem
e sem palavras.
Lembro-me porém, dos amigos que tive,
da menina com quem dancei
no arraiá da pré-escola.
Lembro-me de quem já foi.
E quando chegava da escola me deixava
todos os dias
um avião de lego,
que desmontava todos os dias.
Lembro-me das ruas,
pizzarias,
árvores e Igrejas.
Lembro me da capela
e do campinho.
Como eram bons os tempos da Tijuca.
Tempos inconscientes, mas memoráveis.
Onde o amor era por quem me aleitava,
E não por quem me maltratava,
A essas sim, odiava.
Mas aos poucos tudo muda.
A Tijuca muda,
E eu me mudo
Pra Niterói.
Mudam conceitos, valores
mudam defeitos,
muda o amor.
dos tempos que passei na tijuca,
pois era muito jovem
e sem palavras.
Lembro-me porém, dos amigos que tive,
da menina com quem dancei
no arraiá da pré-escola.
Lembro-me de quem já foi.
E quando chegava da escola me deixava
todos os dias
um avião de lego,
que desmontava todos os dias.
Lembro-me das ruas,
pizzarias,
árvores e Igrejas.
Lembro me da capela
e do campinho.
Como eram bons os tempos da Tijuca.
Tempos inconscientes, mas memoráveis.
Onde o amor era por quem me aleitava,
E não por quem me maltratava,
A essas sim, odiava.
Mas aos poucos tudo muda.
A Tijuca muda,
E eu me mudo
Pra Niterói.
Mudam conceitos, valores
mudam defeitos,
muda o amor.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Amo-te
Amo-te de todo o interior,
interior e afins.
Amo-te com o coração
com o intestino
com o estômago
o duodeno
o cérebro
e os rins.
interior e afins.
Amo-te com o coração
com o intestino
com o estômago
o duodeno
o cérebro
e os rins.
Quero alguém
Quero afago de gente.
Afago afim, inteligente.
Não afago no pelo,
caso quisesse me comprava um pente.
Não quero amor do coração ardente,
quero alguém que me ame com a mente,
pois o peito nada sente.
Quero alguém que sente
ao meu lado e tente
fazer do dia quente
um refresco pertinente.
Quero alguém que veja além de um presente,
além do tempo presente,
alguém que veja o tempo à frente.
Quero alguém que veja no sol poente,
que nos deixa, assim, impotente,
uma felicidade iminente
Na aurora do dia seguinte.
Afago afim, inteligente.
Não afago no pelo,
caso quisesse me comprava um pente.
Não quero amor do coração ardente,
quero alguém que me ame com a mente,
pois o peito nada sente.
Quero alguém que sente
ao meu lado e tente
fazer do dia quente
um refresco pertinente.
Quero alguém que veja além de um presente,
além do tempo presente,
alguém que veja o tempo à frente.
Quero alguém que veja no sol poente,
que nos deixa, assim, impotente,
uma felicidade iminente
Na aurora do dia seguinte.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Folha de limoeiro
É crer no tempo
E esperar
O tempo crer
que se merece o que se vê
E não se pode tocar
Espera florescer
Frutificar
Respira fundo e vê o verde se fazer
Feito folha de limoeiro
persistente, resistente
Fica aí o ano inteiro
Fica aí, não sai.
Espera mais uns dez minutos
que eu te peço dez minutos
E o amor tão diminuto
coisa grande se fará.
E esperar
O tempo crer
que se merece o que se vê
E não se pode tocar
Espera florescer
Frutificar
Respira fundo e vê o verde se fazer
Feito folha de limoeiro
persistente, resistente
Fica aí o ano inteiro
Fica aí, não sai.
Espera mais uns dez minutos
que eu te peço dez minutos
E o amor tão diminuto
coisa grande se fará.
Faixa
Passa.
Preto,
Branco,
Preto,
Branco,
Preto,
Branco.
Segregação
até na faixa de pedestre.
Preto,
Branco.
Preto,
Branco,
Preto,
Branco,
Preto,
Branco.
Segregação
até na faixa de pedestre.
Preto,
Branco.
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