a carne e a fala
o pé e a bola
o bom e a vontade
o pão e a esmola
o amor e a liberdade
o assopro e o vento
o sincero e o tempo
o momento e a verdade
a criança e o futuro
o idoso e o presente
o não-ser e o pretérito
o ser e o inexistente
o corvo e o susto
o aperto e o desejo
o coro e a estrofe
a ponte e o carro
a fala e a carne
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Embriaguez
A embriaguez da alma é repulsa
dói, corrói e expulsa
de forma ingrata
aquilo que não muda nada
um sacrifício por muitos é martírio
dos mais belos olhos, sóbrios, saem...
mas uma entrega sem motivo, desnecessária
torna-se tolice irremediável
a todos os que embriagam suas almas
resta o sono respeitoso do poeta
que versa de vagar por aí
com os olhos pesados de vinho
sem ninguém machucar
dói, corrói e expulsa
de forma ingrata
aquilo que não muda nada
um sacrifício por muitos é martírio
dos mais belos olhos, sóbrios, saem...
mas uma entrega sem motivo, desnecessária
torna-se tolice irremediável
a todos os que embriagam suas almas
resta o sono respeitoso do poeta
que versa de vagar por aí
com os olhos pesados de vinho
sem ninguém machucar
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Jorge e as oscilações
Talvez a vida faça pouco caso da gente. E quando a gente resolve surpreender, não ligar, as cores explodem e saem da nossa cabeça como um jato, colorindo tudo o que é disforme e está em volta. A boca se projeta, o queixo toma forma, os olhos não são mais escondidos pelas sombras. Estaríamos diante aqui, do momento entre o ceder e o resistir. E as duas coisas caminham juntinhas, Jorge. Um homem que cansou de ceder está prestes a resistir. E o que já resistiu muito está prestes a ceder. E a vida oscila devagar entre cansaços, e nos joga pro alto como os mendiguinhos jogam os limões no sinal.
- Você está muito perto do céu.
E eu me lembro da ultima canção que você escutou, a nostalgia, as lágrimas cedidas, o encontro com algo desagradabilíssimo. Você desabou, com certeza. Desabou e eu não esperava menos de você. Pelo contrário, esperava mais, esperava que você se jogasse do décimo sétimo andar, lá do alto do céu. E é de gente assim que a vida faz muito pouco caso, meu amigo. Mas agora veio uma alegria inesperada, fruto de um esforço tranquilo e, ao mesmo tempo, feito com a agonia de contar com a sorte. É hora de sorrir sem esquecer o que já se passou. É bobeira colocar o disco arranhado duas vezes na vitrola.
- Você está colado no chão...
E qual é o exato ponto entre o alto e o baixo? Onde termina o azul e começa o verde? Onde termina o dó e começa o ré? Esse exato ponto é a fantasia, Jorge, o fim da oscilação. Onde as coisas simplesmente não importam. É um lugar que ninguém ousa achar. E a vida faz pouco caso de nós, porque de fato, não encontraremos aqui. Mas a felicidade vem de saber que esse ponto existe e de que se pode caminhar pra lá. É ir em direção a resistência, voltar de onde se foi, girar meia volta, volver. E agora vejo você caminhando na felicidade, amigo. Que belo ser humano você se tornou.
- Você está muito perto do céu.
E eu me lembro da ultima canção que você escutou, a nostalgia, as lágrimas cedidas, o encontro com algo desagradabilíssimo. Você desabou, com certeza. Desabou e eu não esperava menos de você. Pelo contrário, esperava mais, esperava que você se jogasse do décimo sétimo andar, lá do alto do céu. E é de gente assim que a vida faz muito pouco caso, meu amigo. Mas agora veio uma alegria inesperada, fruto de um esforço tranquilo e, ao mesmo tempo, feito com a agonia de contar com a sorte. É hora de sorrir sem esquecer o que já se passou. É bobeira colocar o disco arranhado duas vezes na vitrola.
- Você está colado no chão...
E qual é o exato ponto entre o alto e o baixo? Onde termina o azul e começa o verde? Onde termina o dó e começa o ré? Esse exato ponto é a fantasia, Jorge, o fim da oscilação. Onde as coisas simplesmente não importam. É um lugar que ninguém ousa achar. E a vida faz pouco caso de nós, porque de fato, não encontraremos aqui. Mas a felicidade vem de saber que esse ponto existe e de que se pode caminhar pra lá. É ir em direção a resistência, voltar de onde se foi, girar meia volta, volver. E agora vejo você caminhando na felicidade, amigo. Que belo ser humano você se tornou.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
#6
sentimentos são atitudes.
Uma atitude é fruto, e ao mesmo tempo,
o sentimento em si.
Uma atitude é fruto, e ao mesmo tempo,
o sentimento em si.
Palavras são potencializadores
do sentimento, da atitude.
Palavras são potencializadores
das faltas
de sentimento, de atitude.
Os sentimentos não podem ser descritos por palavras,
apenas ajudados:
a palavra em si é vazio.
oco
incapaz
preenchemos como queremos as palavras,
como o recheio:
recheia o bolo.
Não se deixe enganar
pelas palavras.
Engane-se pelos sentimentos.
Será a forma mais sensata de errar.
E se ouvir alguma palavra que toque,
transforme-a em sentimento.
Quem a falou também sentia.
E se não sentia?
Hipocrisia
Hipocrisia
-ia
-ia
Palavra sem atitude,
é palavra vazia.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
quando se perde a poesia
Quando se perde a poesia
se desalinha
o mundo
a poesia
é como
consciência
com
ciência
com
ciência
quando se perde a
poesia
o corpo avisa
quando se peca
a mente esfria
sem poesia.
e quando for certo o caminho,
logo aparece.
a proesia apruma
a poesia cresce.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
A canção que fiz pensando e escolhendo
Deixa o sentimento sair,
seja em qualquer forma de expressão.
Arte - cores ou palavras,
tudo é linguagem-emoção.
E se você me chamar eu vou,
vou em forma de canção.
(Pra dizer)
Tudo o que eu não fizer,
delimita a minha ação,
e eu faço o que quiser,
na conveniência da obrigação.
E se você me chamar eu vou,
vou em forma de canção:
O som que corta o ar
e o espaço entre as notas da canção
é o silêncio que exprime a intenção de dizer, de falar, de fazer...
O som que corta o ar
e quem não escutar essa canção
as notas que eu não pus na intenção de dizer, de falar, de fazer...
seja em qualquer forma de expressão.
Arte - cores ou palavras,
tudo é linguagem-emoção.
E se você me chamar eu vou,
vou em forma de canção.
(Pra dizer)
Tudo o que eu não fizer,
delimita a minha ação,
e eu faço o que quiser,
na conveniência da obrigação.
E se você me chamar eu vou,
vou em forma de canção:
O som que corta o ar
e o espaço entre as notas da canção
é o silêncio que exprime a intenção de dizer, de falar, de fazer...
O som que corta o ar
e quem não escutar essa canção
as notas que eu não pus na intenção de dizer, de falar, de fazer...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Devagar
Um farol ilumina
Mil faróis deixam cego
O cerol corta a pipa
E a mão do menino
Ver demais é foguete
Certo que alucina
Se eu correr é cansaço
Se eu parar é preguiça
Se for pra lutar
Que seja em outro lugar
Se for pra bater, que seja devagar.
Mil faróis deixam cego
O cerol corta a pipa
E a mão do menino
Ver demais é foguete
Certo que alucina
Se eu correr é cansaço
Se eu parar é preguiça
Se for pra lutar
Que seja em outro lugar
Se for pra bater, que seja devagar.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Nada
e, como se a beleza estivesse no nada,
.
.
esvaziar-se é a mais difícil tarefa
.
.
.
.
é o silêncio quem delimita.
.
.
esvaziar-se é a mais difícil tarefa
.
.
.
.
é o silêncio quem delimita.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Cada olhar é uma profecia
- Quem é essa moça bonita aqui?
- Essa foto foi por causa do dia que a gente foi na casa da Bia!
A menina projetou-se na foto que sua mãe lhe mostrava. Na foto, apenas 4. Agora, 5 anos de idade, havia perguntado a sua mãe no dia do seu aniversário se seria aquele o dia que ia ficar maior de altura. Os dentes separados, uma camisetinha rosa que deixava os braços rechonchudos a mostra, uma trança e a cara gordinha faziam do sorriso dessa pequenina uma preciosidade. Estava eu no ônibus a observar tal cena. A mãe, a irmã, e Talita, a menina, sentada no colo de uma das duas, não me lembro ao certo quem.
- Ela vai ficar linda, Carol - disse a mãe para a irmã - o único problema de Talita é a sombrancelha um pouco grossa aqui em baixo - passou a mão e a menina acompanhou com os olhos.
- Pois é, mãe.
Talita olhou para o nada com um sorriso bobo. Projetou todo um futuro agradável, onde o seu único problema seria fazer as sombrancelhas uma vez ao mês. Viraria uma prostituta dali uns 15 anos.
A projeção em uma fotografia de futuro.
Acorde elivelton são cinco da manhã e você tem que fazer café e ir pra obra que você tá fazendo e já está terminando vá para o ponto pegar o cinquentetrês e parta já pro teu trabalho corre logo bota a camisa o boné o chinelo de dedo faz essa barba não deixa o bigode faz você parecer ainda mais pobretão e a gente não quer passar essa imagem pros seus patrões quem sabe um dia a gente possa ser rico elivelton e comprar aquela tevê de prasma que eu sempre sonhei esse é o nosso projeto.
Elivelton subiu no ônibus que eu estava. Sentou no banco oposto ao de Talita.
- Quem é essa moça bonita aqui?
Elivelton olhou profundamente aquela meia-família e riu discretamente da mocinha. Obviamente olhou pras pernas de Carol, a irmã, que usava um short muito pequeno. Mas o que queria mesmo era olhar Talita.
E se ao invés da tevê de plasma, Elivelton quisesse um filho? Calou-se o dia inteiro, na construção, na mesa de jantar, assistindo o jornal. De noite pôs em prática o seu plano de futuro.
Dali um mês viria a descoberta. Dali a nove, nasceria Jorge Adalto. Jorge pois era nome do jogador favorito de Elivelton, e Adalto era o nome do avô de sua mulher. Jorge Adalto. Jor-ge-a-dal-to. Soava como música aos seus ouvidos.
E é curioso como os olhares se ajudam. Não fosse o olhar pelo buraco da câmera, ou a foto sendo mostrada aos olhos de Talita, Elivelton não olharia pra lá, não teria um filho, não morreria tão cedo. Talita e os olhares previam o fim do pedreiro.
- Aí, Jorginho, olha essa foto aqui! Quem é esse rapaz bonito?
Jorginho projetou-se, olhou. Talvez tenha acertado.
- Aí, Jorjão, olha essa foto aqui, é esse cara que a gente tem que matar. Ferrou com a boca, denunciou pra polícia. E aí? A gente pega ele no final do culto da Assembléia de Deus, dá um teco nele, e vaza. O chefe falou que se ele não rodar, quem roda é nós.
Jorjão matou seu pai. Matou por medo de morrer.
Dali a dois anos, Jorjão seria Pastor Jorge Adalto, da Assembléia de Deus. Segundo os comungantes, todos humildes, ex-traficante e ex-drogado, agora profeta.
- Deus olha pra vocês, irmãos. Profetizem.
- Essa foto foi por causa do dia que a gente foi na casa da Bia!
A menina projetou-se na foto que sua mãe lhe mostrava. Na foto, apenas 4. Agora, 5 anos de idade, havia perguntado a sua mãe no dia do seu aniversário se seria aquele o dia que ia ficar maior de altura. Os dentes separados, uma camisetinha rosa que deixava os braços rechonchudos a mostra, uma trança e a cara gordinha faziam do sorriso dessa pequenina uma preciosidade. Estava eu no ônibus a observar tal cena. A mãe, a irmã, e Talita, a menina, sentada no colo de uma das duas, não me lembro ao certo quem.
- Ela vai ficar linda, Carol - disse a mãe para a irmã - o único problema de Talita é a sombrancelha um pouco grossa aqui em baixo - passou a mão e a menina acompanhou com os olhos.
- Pois é, mãe.
Talita olhou para o nada com um sorriso bobo. Projetou todo um futuro agradável, onde o seu único problema seria fazer as sombrancelhas uma vez ao mês. Viraria uma prostituta dali uns 15 anos.
A projeção em uma fotografia de futuro.
Acorde elivelton são cinco da manhã e você tem que fazer café e ir pra obra que você tá fazendo e já está terminando vá para o ponto pegar o cinquentetrês e parta já pro teu trabalho corre logo bota a camisa o boné o chinelo de dedo faz essa barba não deixa o bigode faz você parecer ainda mais pobretão e a gente não quer passar essa imagem pros seus patrões quem sabe um dia a gente possa ser rico elivelton e comprar aquela tevê de prasma que eu sempre sonhei esse é o nosso projeto.
Elivelton subiu no ônibus que eu estava. Sentou no banco oposto ao de Talita.
- Quem é essa moça bonita aqui?
Elivelton olhou profundamente aquela meia-família e riu discretamente da mocinha. Obviamente olhou pras pernas de Carol, a irmã, que usava um short muito pequeno. Mas o que queria mesmo era olhar Talita.
E se ao invés da tevê de plasma, Elivelton quisesse um filho? Calou-se o dia inteiro, na construção, na mesa de jantar, assistindo o jornal. De noite pôs em prática o seu plano de futuro.
Dali um mês viria a descoberta. Dali a nove, nasceria Jorge Adalto. Jorge pois era nome do jogador favorito de Elivelton, e Adalto era o nome do avô de sua mulher. Jorge Adalto. Jor-ge-a-dal-to. Soava como música aos seus ouvidos.
E é curioso como os olhares se ajudam. Não fosse o olhar pelo buraco da câmera, ou a foto sendo mostrada aos olhos de Talita, Elivelton não olharia pra lá, não teria um filho, não morreria tão cedo. Talita e os olhares previam o fim do pedreiro.
- Aí, Jorginho, olha essa foto aqui! Quem é esse rapaz bonito?
Jorginho projetou-se, olhou. Talvez tenha acertado.
- Aí, Jorjão, olha essa foto aqui, é esse cara que a gente tem que matar. Ferrou com a boca, denunciou pra polícia. E aí? A gente pega ele no final do culto da Assembléia de Deus, dá um teco nele, e vaza. O chefe falou que se ele não rodar, quem roda é nós.
Jorjão matou seu pai. Matou por medo de morrer.
Dali a dois anos, Jorjão seria Pastor Jorge Adalto, da Assembléia de Deus. Segundo os comungantes, todos humildes, ex-traficante e ex-drogado, agora profeta.
- Deus olha pra vocês, irmãos. Profetizem.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
um passo difícil
minha casa é o berço do mundo
meu olhar é pedreiro
o sol é o embalo do dia
a anestesia é o fim do pensar.
A cabeça é o invólucro do universo
o som é o ar
a fome é o que faz a comida
o amor é o espaço que há.
meu olhar é pedreiro
o sol é o embalo do dia
a anestesia é o fim do pensar.
A cabeça é o invólucro do universo
o som é o ar
a fome é o que faz a comida
o amor é o espaço que há.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
O estudo da essência
Antes de tudo é preciso ser.
E aí, sendo, criando ciso, ser algo.
Porque o predicado vem depois do sujeito,
mesmo que o vejamos antes, mesmo que
implícito ele seja.
O predicado não é sem o sujeito, onde já se viu?
O sujeito é como o verbo, "como o verbo" é predicado do sujeito,
e dentro daquela lógica de ser o que se faz, o sujeito em si, é, e ser é o que faz dele sujeito.
Sujeito aos predicados de ser, porque antes de tudo é preciso ser.
E o predicado diz justamente respeito ao nosso ser. A quem somos, ou ao que fazemos.
E a essência toma forma no choque e na síntese do proposto:
Sujeito e predicado num encontro
formam a essência.
Ô coisa difícil de descobrir.
E aí, sendo, criando ciso, ser algo.
Porque o predicado vem depois do sujeito,
mesmo que o vejamos antes, mesmo que
implícito ele seja.
O predicado não é sem o sujeito, onde já se viu?
O sujeito é como o verbo, "como o verbo" é predicado do sujeito,
e dentro daquela lógica de ser o que se faz, o sujeito em si, é, e ser é o que faz dele sujeito.
Sujeito aos predicados de ser, porque antes de tudo é preciso ser.
E o predicado diz justamente respeito ao nosso ser. A quem somos, ou ao que fazemos.
E a essência toma forma no choque e na síntese do proposto:
Sujeito e predicado num encontro
formam a essência.
Ô coisa difícil de descobrir.
domingo, 20 de novembro de 2011
Perdão, Parede
-Perdoe-me
é o que a parede me diz
e eu que pensei que ela só tinha ouvidos
agora tem boca, e pelas palavras, coração.
Um sorriso de canto responde
e reforça a estrutura da casa, que, obviamente
ainda seria sem a dita parede
mas ela está ali.
E foi o que eu pensei, assim:
as vezes Deus nos deixa viver
por redenção.
E a vida, quando não há mais sentido em mim
pros outros torna-se uma grande lição.
Portanto, quando eu me tornar parede,
inútil, imóvel e sem reação
quando eu padecer, idoso numa cama
que eu sirva pra pedir perdão.
é o que a parede me diz
e eu que pensei que ela só tinha ouvidos
agora tem boca, e pelas palavras, coração.
Um sorriso de canto responde
e reforça a estrutura da casa, que, obviamente
ainda seria sem a dita parede
mas ela está ali.
E foi o que eu pensei, assim:
as vezes Deus nos deixa viver
por redenção.
E a vida, quando não há mais sentido em mim
pros outros torna-se uma grande lição.
Portanto, quando eu me tornar parede,
inútil, imóvel e sem reação
quando eu padecer, idoso numa cama
que eu sirva pra pedir perdão.
sábado, 12 de novembro de 2011
Fluminense
Tudo o que a torcida venera
é o tanto guardado no peito.
Tudo o que se espera (desse jogo)
é que se jogue direito:
Meu deus! - diz o narrador
É mais um gol de bicicleta!
Fred dá cambalhota, dança, comemora
- e eu cá, do outro lado do televisor -
levando avante o tricolor.
Tudo o que se espera (desse jogo)
é que se jogue direito:
Meu deus! - diz o narrador
É mais um gol de bicicleta!
Fred dá cambalhota, dança, comemora
- e eu cá, do outro lado do televisor -
levando avante o tricolor.
domingo, 6 de novembro de 2011
Felipe
- É, Jorge. E como eu faço pra ir daqui ao centro?
- Pega o 45 sentido rua da Câmara.
- Desce no ponto da lanchonete?
- É, Felipe.
Naquele dia Felipe desceu no ponto errado, e não tinha o dinheiro pra voltar. A pé, solução escolhida, pensou na vida e no espaço.
Escreveu uma poesia no chão.
- Pega o 45 sentido rua da Câmara.
- Desce no ponto da lanchonete?
- É, Felipe.
Naquele dia Felipe desceu no ponto errado, e não tinha o dinheiro pra voltar. A pé, solução escolhida, pensou na vida e no espaço.
Escreveu uma poesia no chão.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Poema do chão
(Escrevi esse poema com giz, no chão de algum lugar)
Os passos que passam
Levam as flores
E do chão só restou o poema
E com os passar dos passos
As cores irão
Do poema, só restará o chão
Os passos que passam
Levam as flores
E do chão só restou o poema
E com os passar dos passos
As cores irão
Do poema, só restará o chão
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