Ele:
Cansei de chorar,
Cansei de perder.
Se tem que acabar,
É assim que vai ser.
Se toda canção
Fosse de solidão,
Te daria umas mil,
Pra curar coração.
E eu sei que é difícil a caminhada,
Mas eu ainda acredito no amor.
Ela:
Te peço perdão
Pois tentei cultivar
Uma bela paixão
Mas não pude evitar
Que o meu coração
Fosse a outro lugar
Para um outro amor
Que eu quero esperar
E eu sei que é difícil a caminhada,
Já é tempo de dizer adeus.
Ela e Ele:
Quando os sonhos não são mais os mesmos,
É tempo de cantar o nosso adeus
Na certeza de que o mundo é firme
Em ditar o nosso amanhã.
Ela:
E se a verdade se esgotou...
Ele:
Isso se ela já foi dita a mim!
Ela e Ele:
Já é tempo de virar as costas...
Ela:
Não posso mais dizer
Ele:
Mesmo que eu queira dizer
Ela:
Não posso mais dizer
Ele:
Te amo.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Ao ar
Fecham-se as portas
Fecham-se as janelas
Esta sala está cheia de ar.
Para que condicioná-lo?
Dar-lhe a condição de frio, impessoal?
Deixo que os pulmões respirem fundo
e a paixão caia aos meus pés.
O ar é muito.
Quando comprimido, pouco.
Quando reprimido, tenta se libertar.
Mas facilmente aceita
Ser instrumento da minha mais rudimentar sobrevivência.
Agradeço o ar.
Mas há críticas também, por assim dizer:
Não me falte, não me falte!
Quando a linda moça aparecer.
Fecham-se as janelas
Esta sala está cheia de ar.
Para que condicioná-lo?
Dar-lhe a condição de frio, impessoal?
Deixo que os pulmões respirem fundo
e a paixão caia aos meus pés.
O ar é muito.
Quando comprimido, pouco.
Quando reprimido, tenta se libertar.
Mas facilmente aceita
Ser instrumento da minha mais rudimentar sobrevivência.
Agradeço o ar.
Mas há críticas também, por assim dizer:
Não me falte, não me falte!
Quando a linda moça aparecer.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Aqui mora gente (in)feliz
Estes dias sim, foram ótimos. A distar de tudo o que se pode sentir - o primeiro beijo, a primeira paixão, as surras, brigas, as traições - nada, nada se compara ao sentimento de ter um filho. Eu fui um filho. E agora sou um filho pai. Lembro que, na minha época de filho, era tudo muito rígido, papai e mamãe religiosos, dogmáticos, não me havia liberdade para nada. Tensão e repressão geram comunmente transgressão: Ah, sim, o dia dos meus cinco anos em que escrevi "vagina" com giz de cera vermelho em todas as paredes da minha casa. Era uma nova palavra - queria mostrar que tinha aprendido. Quando tive o meu primeiro filho, e minha primeira impressão de um sentimento incomparável, decidi que meus filhos poderiam escrever o que quisessem nas paredes, livres de admoestação. Leon escrevia e desenhava todos os dias, desde os seus 3 anos, quando descobriu que isso lhe era permitido. Haviam arvores, projetos de pessoas, uma casa, havia a grafia "Papai". Sim, como eu, aprendeu a ler e escrever sozinho aos 3, e admirava as palavras como verdadeiras amigas. E um dia meu filho me surpreendeu da forma mais incrível. Quando nasceu, pendurei na porta de minha casa uma placa: "Aqui mora gente feliz". E antes do tormento, Leon pichou a placa e alterou a mensagem para "Aqui mora gente infeliz". Perguntei a Leon:
- Sente-se infeliz por morar aqui?
- Não papai, não mesmo.
- E por que mudou a placa?
- Só mudei. Disseram que se eu puser "in" na frente das palavras elas viram o oposto do que significam.
A partir daquele dia as coisas começaram a decair. Leon não escrevia mais nas paredes. Regina teve câncer, deixou-me a inteira responsabilidade de educá-lo, e de livrá-lo dos traumas que sua morte causou. Leon tornou-se médico, pois não quis se tornar artista. Esses dias nos tomaram a alma, nos arrancaram a existência. Todavia, ontem, voltando do mercado, vi o carro de Leon na porta, e ao olhar a porta, ainda rabiscada depois de tantos anos, a placa que ostentava uma nova mensagem: "Aqui mora gente ininfeliz"
- Sente-se infeliz por morar aqui?
- Não papai, não mesmo.
- E por que mudou a placa?
- Só mudei. Disseram que se eu puser "in" na frente das palavras elas viram o oposto do que significam.
A partir daquele dia as coisas começaram a decair. Leon não escrevia mais nas paredes. Regina teve câncer, deixou-me a inteira responsabilidade de educá-lo, e de livrá-lo dos traumas que sua morte causou. Leon tornou-se médico, pois não quis se tornar artista. Esses dias nos tomaram a alma, nos arrancaram a existência. Todavia, ontem, voltando do mercado, vi o carro de Leon na porta, e ao olhar a porta, ainda rabiscada depois de tantos anos, a placa que ostentava uma nova mensagem: "Aqui mora gente ininfeliz"
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Esperança
Uma mudança muda,
uma mudança cresce.
Uma mudança é muda,
tanto que floresce.
Uma mudança é muda,
tanto que emudece.
uma mudança cresce.
Uma mudança é muda,
tanto que floresce.
Uma mudança é muda,
tanto que emudece.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Foto e grafia (2)
Um abraço
um amor
de dois amantes
dois sorrisos
uma é a alegria:
partilhada.
Não há brilho em olhos
não há gente voando
não há dor que não doa...
Há, nesse colorido fotograma
expresso um instante
de um filme de amor puro e genuíno
que em seu vértice, no pré-declínio
se gravou na obturação.
Se há depois, choro e vela,
não sei.
Mas sei que há na foto o que se expressa
na feiúra dos dois amantes
a beleza de ser um só:
um abraço
uma alegria.
um amor
de dois amantes
dois sorrisos
uma é a alegria:
partilhada.
Não há brilho em olhos
não há gente voando
não há dor que não doa...
Há, nesse colorido fotograma
expresso um instante
de um filme de amor puro e genuíno
que em seu vértice, no pré-declínio
se gravou na obturação.
Se há depois, choro e vela,
não sei.
Mas sei que há na foto o que se expressa
na feiúra dos dois amantes
a beleza de ser um só:
um abraço
uma alegria.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Confissão
Confesso que há muito não choro.
Que há nisso então?
O choro é de quem se dói
teatro de expurgar...
e do que sofre, escape
ápice
que antecede o desmaiar do sono.
Na realidade, sei
que o choro não é só de lágrima.
Também podem em suas águas escorrerem
os versos de quem se banha...
Se assim, confesso que há muito choro:
e confesso no meu choro
sem dó, sem decoro.
E então,
desmaio, me entrego.
Chega enfim o sono do poeta:
esgotou-se o medo.
Que há nisso então?
O choro é de quem se dói
teatro de expurgar...
e do que sofre, escape
ápice
que antecede o desmaiar do sono.
Na realidade, sei
que o choro não é só de lágrima.
Também podem em suas águas escorrerem
os versos de quem se banha...
Se assim, confesso que há muito choro:
e confesso no meu choro
sem dó, sem decoro.
E então,
desmaio, me entrego.
Chega enfim o sono do poeta:
esgotou-se o medo.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
A história do homem que jogou as credenciais em cima da mesa
Entrou. A cara, determinada. Não, não irritado, digo, talvez irritado, mas não de momentos, aquela cara fechada mas sem agressão? Sabe? Isso, essa mesmo. Então, entrou. Bateu a porta, cara, nem tão forte assim - até porque ele não estava irritado, nem tão fraco. Acho que a determinação faz isso com a gente. Não lembra do Jorge, aquele que morava no apartamento de frente pr... Ah, não? Então esquece. As pisadas foram três, até a mesa que ficava no caminho até o homem engravatado. Pisou firme, hein! Mas não fez barulho. O terno era italiano mas ele escondia uma mancha de café do lado de dentro e um buraquinho debaixo do braço, o sapato era bom mas não tava lustrado, sabe como é, hoje em dia está todo mundo vendendo disco pirata, não tem muito engraxate por aí. Aí, ele entrou: Três passos, a cara, o terno, o sapato, a mesa. Tinha um homem do lado do arbusto. Era moreno e usava óculos escuros. Se era segurança eu não sei, mas que parecia, parecia. Não era tão pequeno nem tão grande, mas óculos escuro com terno deixa todo mundo com cara de babaca perigoso. Não babaca de idiota...ah, você entendeu. Daí ele entrou com aquela cara, três passos, fingiu que não viu o segurança, óculos escuros, o sapato sem brilho, o terno furado, a mesa de mogno maciço. Ele entrou, meu irmão. Entrou e jogou as credenciais em cima da mesa.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Explicações incoerentes sobre a incoerência diária
"Tô te explicando pra te confundir
tô te confundindo pra te esclarecer
tô iluminando pra poder cegar
tô ficando cego pra poder guiar."
(Tom Zé)
Pois bem. Há muito venho falando aqui, e sem maior explicações, sobre o nada da incoerência diária. Resolvi deixar claro - e isso é incoerente demais, peço perdão à toda a arte que já redigi até agora que fala sobre a incoerência - e dar coerência a minha incoerência, que continuará a ser incoerente, pois não há razão para uma incoerência ser de todo explicável.
Todo ser humano é incoerência. Um impulso. Texto que é excretado sem revisão posterior, sem perceber pontuação, e aí temos a prova viva de que nossa natureza não sabe ligar as coisas direitos. Precisamos repensar tudo o que é posto no papel, tudo o que falamos, repensar até os ideais para que possamos alcançar a tão desejável coerência. Vivemos em constante reformulação pessoal de nós mesmos ajustando nossas descontinuidades e dando lugar a novas.
Porque é tão ruim ser incoerente? Por que sim. Porquê nos cobram isso toda hora, saber usar corretamente os nossos por quês. Talvez aceitar? Sim, eu resolvi fazê-lo, e convido quem mais quiser artificar a incoerência que mora dentro de si a escrevê-la, pintá-la, construi-la, canta-la, varre-la. Escrever dentro do padrão que não há padrão. A regra é: Não há regras. E a regra já transforma a arte em arte - pois, se há a regra de que não há regras esta regra já está transgredida.
Como exteriorizamos a incoerência? Exteriorizamos a nicoerência através de impulsos. Os erros, as descontinuidades. Parece metalinguagem, mas não é. Ou é e não quer ser. Deixamos claro que a incoerência mora no ser quando ferimos por amor, quando amamos o ódio, quando vendemos ideais, quando dizemos sem pensar. O impulso precede a descontinuança de tudo. O mundo.
Espero assim, ter confundido a todos e também ter me privado de reclamações indesejadas. Espero que esteja tudo bem explicado.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
O Porque dos Natais
Há os que digam que se deve desejar esses tipos de coisas no natal - felicidades, paz, saúde. Viram todos grandes mahatma ghandis, distribuem presentes, cestas básicas, meninos jesuses fabricados numa linha de produção Henrifordista. AS ESTÁTUAS! Sim, presépios, presepeiros, adoram gritar o amor e a felicidade anunciada nos dias em que um gordo de gorro sai por aí num trenó voador. Sinos pequeninos de belém batem em todo o mundo, na tv aberta, os mesmos filmes, na fechada, os novos que parecem velhos. Pensa-se na vida, na traição que cometemos à esposa, nos amigos que jogamos no lixo por levá-los em conta, nas pessoas que ferimos sem querer querendo. Há um pingo de esperança, o "querer mudar" que todos nós almejamos. Findo o natal, voltamos às nossas práticas não natalinas. Desarmam-se os presépios, tanto AS ESTÁTUAS! quanto os presépios que armamos em nossos pescoços, retiram-se as guirlandas, desmonta-se uma árvore (?). Voltamos, sim voltamos. Os meninos jesuses são jogados no lixo, recém nascidos em nossos corações. Os mahatma ghandis são assassinados em nossos peitos. Eu descobri o porque do natal. Descobri porque damos luz à menino Cristo e depois o crucificamos rapidamente, após 33 anos que se passam numa virada de dia - é tudo uma jogada, Henry Ford precisa produzir ano que vem.
Desejo aos meus leitores que nossos meninos jesuses permaneçam em nossos corações. Que exerçamos o natal todos os dias.
Desejo aos meus leitores que nossos meninos jesuses permaneçam em nossos corações. Que exerçamos o natal todos os dias.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Felicidade e gás
Liga o fogo
do fogão
na melhor boca que tiver,
e deixa a vida, amor,
roubar os sorrisos que devemos a ela.
Amar não é prender,
pelo contrário - se libertar.
É assim que a gente vê
felicidade e gás.
do fogão
na melhor boca que tiver,
e deixa a vida, amor,
roubar os sorrisos que devemos a ela.
Amar não é prender,
pelo contrário - se libertar.
É assim que a gente vê
felicidade e gás.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Ao calor de um sonho
O desespero é o desaquecer da idéia.
Um pensamento que aflige
é um que já passou.
Não há como (e como seria bom se assim não fosse):
estar aflito é condição ao depois.
Se há forma de responder
um pensamento em simultâneo, dessa forma eu não sei.
Pensamento não têm forma, não tem forma.
É a desconstrução do amar a primeira vista:
Não existe! Não existe.
Quando assim uma idéia nos passa
feito vento que balança a existência pesada dos galhos de uma oliveira,
aflige o medo de entortar
só depois que já passou o sopro;
só depois que já pensou-se o mundo;
só depois que já doeu-se o amor;
Quando findou o poema...
Um pensamento que aflige
é um que já passou.
Não há como (e como seria bom se assim não fosse):
estar aflito é condição ao depois.
Se há forma de responder
um pensamento em simultâneo, dessa forma eu não sei.
Pensamento não têm forma, não tem forma.
É a desconstrução do amar a primeira vista:
Não existe! Não existe.
Quando assim uma idéia nos passa
feito vento que balança a existência pesada dos galhos de uma oliveira,
aflige o medo de entortar
só depois que já passou o sopro;
só depois que já pensou-se o mundo;
só depois que já doeu-se o amor;
Quando findou o poema...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Comodidade
Foi tão cômodo que se pudesse viver, e se meu peito, com as suas funções orgânicas engolisse aquela faca e a alojasse em meu interior, seria provável a felicidade. Ma retiraram no hospital. A felicidade é - por que não seria? - cômoda que só. Disso eu sei. A faca foi feliz em meu peito, talvez. A esta altura do texto, o leitor já deve estar se perguntando de onde escrevo isso, e como a tal faca fez para adentrar em mim. Pois bem: Escrevo do túmulo, talvez gostaria que este fosse meu epitáfio. Talvez não, seja feliz demais. Ah, mas que se dane. Eu me matei mesmo, viu? Viram? Chora não. Me matei porque eu tava era feliz demais. A felicidade é cômoda que só. Se acomodou e virou tristeza. A tristeza, essa sim, essa é batalhadora, alienadora, faz a gente deixar um monte de coisa pra trás que engoda nossa felicidade. Daí ela vem, a felicidade. Como é mal-acostumada. Preferi me matar no dia em que eu recebi essa promoção no emprego, virei gerente geral, poderia inclusive pagar minhas contas, comprar um carro novo, quiçá mudar o apartamento apertado em que morava. Quão feliz foi esse dia. Daí veio a idéia de me matar antes que essa felicidade se acomodasse. Pois bem, foi o melhor final de vida que eu já vi. Foi bom demais. Doeu quase nada. Apontei a faca pro peito e me joguei no chão. Aí acordei por aqui. Tô feliz, sim, pra caramba, não se preocupe, nada me chateia por aqui. Acho até que eu vou me acomodar.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Tempo Vago
Bem, confesso que eu não sei
ao certo o que farei
sem ter você aqui.
Posso ser um campeão de bocha;
Posso ser fluente em finlandês;
Posso aprender que pedra é rocha,
deixar tudo claro de uma vez.
Posso perceber que o sol é puro,
e que os outros só tem dó de mim;
Posso descobrir que lá no escuro
é menor e é melhor assim.
A saudade eu não ousei guardar no bolso:
Joguei no mar.
Posso aprender corte e costura;
Posso me jogar de um trampolim;
Posso ler livros de capa dura;
Tatuar na pele um guaxinim.
Posso perceber felicidade
nessas coisas que ninguém mais vê.
Perder a noção da minha idade
Perder um programa de tevê.
É tanto tempo vago
e tanta opção!
Deixo a arte me guiar.
ao certo o que farei
sem ter você aqui.
Posso ser um campeão de bocha;
Posso ser fluente em finlandês;
Posso aprender que pedra é rocha,
deixar tudo claro de uma vez.
Posso perceber que o sol é puro,
e que os outros só tem dó de mim;
Posso descobrir que lá no escuro
é menor e é melhor assim.
A saudade eu não ousei guardar no bolso:
Joguei no mar.
Posso aprender corte e costura;
Posso me jogar de um trampolim;
Posso ler livros de capa dura;
Tatuar na pele um guaxinim.
Posso perceber felicidade
nessas coisas que ninguém mais vê.
Perder a noção da minha idade
Perder um programa de tevê.
É tanto tempo vago
e tanta opção!
Deixo a arte me guiar.
domingo, 12 de dezembro de 2010
#4
foi
a percepção da vida
cortou-se
a última linha
o fio de cabelo
a teia de aranha
que me prendia
aqui
no mundo
a percepção da vida
cortou-se
a última linha
o fio de cabelo
a teia de aranha
que me prendia
aqui
no mundo
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Explicações dum desiludido
A verdade é que não há verdade. Não há e ponto. E não venha você me criticar, pois a mania de desconstruir as coisas é minha, e eu faço, desconstruo o que quiser com ela. Você nunca parou para pensar em nada? Na verdade, nada existe de verdade. Juro. Se você for parar para olhar o âmago de algo, a sua real essência, descobrirá que essa tal coisa não existe. Como por exemplo a verdade. Não existe. O amor, também não existe. O mundo, o universo, a realidade? Também não. Nada é real. O presente, não existe. Tanto o produto do amor quanto o produto do passado. O passado é um presente que não existe mais, mas, se o presente não existe só o que nos resta é o futuro, que fazemos no agora, que também não existe, não existe, não existe. Você está parada no nada. No nada. Muito nada é tudo. Muito tudo é nada. Tudo é nada e vice versa, meu bem. Nosso amor nunca existiu, tá provado?
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